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O uso de telas e a “quietude” na infância

A necessidade de trabalhar ou realizar alguma tarefa muitas vezes levam os pais a cederem para a criança o celular. E assim muitas vezes o uso de telas é introduzido precocemente e muito além do tempo indicado pelos especialistas.

Em 2016 a Sociedade de Pediatria Brasileira produziu o primeiro documento sobre a saúde de crianças e adolescentes na era digital com o objetivo de alertar e prevenir,de acordo com documento crianças até 2 anos de idade não devem fazer uso de telas .A SBP explica que nessa fase a exposição a telas pode atrapalhar e atrasar processos mentais e cognitivos, após essa idade o uso deve ser com supervisão e moderado .

O que é visto é que a criança perde a oportunidade do brincar espontâneo e do gesto natural e saudável presentes na infância e fica a mercê dos equipamentos que têm como característica oferecer um bombardeio de estímulos visuais, sonoros e opções infinitas de toques e animações que deixam as crianças completamente imersas naquele aparelho.

Ocorre que além do aumento no número de crianças com situações oftalmológicas adversas causadas pelo uso das telas (miopia, entre outros) ainda é evidente a mudança no comportamento infantil que pode apresentar maior ansiedade, nervoso e até distração nos ambientes em que é necessário atenção.
Devido a situação de pandemia os médicos oftalmologistas já registram aumento significativo de patologias oculares associada ao uso frequente de telas. Oftalmologistas descrevem a Síndrome Visual Relacionada a Computadores(SVRC) :um conjunto de sintomas visuais como:cansaço,sensação de corpo estranho,ardência,dor,irritação,vermelhidão,ressecamento e turvação visual. Além disso, deixar a criança na internet sem supervisão é como deixa-lá sozinha em uma rua vazia cheia de opções para ela explorar ,sem contar os comerciais e recursos extremamente invasivos que podem apresentar conteúdo inadequado para a idade .

Ainda que seja bastante cansativo estar inteiro para uma criança é preciso que algum cuidador esteja atento .

Então qual a solução diante da necessidade dos pais trabalharem e realizarem atividades e ao mesmo tempo estar com a criança?

E quem nunca deixou a criança no celular?Nós todos !

Mas é importante ressaltar que atualmente a vida cotidiana dos pais é corrida, no entanto aquietar os filhos com as telas não é uma solução saudável além de a longo prazo pode trazer riscos a saúde mental e física das crianças. É interessante oferecer para os pequenos outros estímulos ao retirar a possibilidade do uso de celular, brincadeiras com papel e lápis colorido, jogos e outros brinquedos concretos, é preciso um esforço para entregar um recurso interessante para sua criança onde vez ou outra seja possível a sua interação e olhar.

Somos seres sociais e socializar constitui o nosso ser, na infância dar um lugar de potencial para o brincar criativo é indispensável.

Apesar de estarmos vivenciando uma era de avanços digitais progressivos, para nós seres humanos e nosso SNC ,o ambiente e os seus elementos são fundamentais e imprescindíveis nas fases de desenvolvimento do indivíduo ,proteger e cuidar da infância é também refletir sobre o uso das telas.
Claro que ter um contato é esperado para as crianças neste contexto atual, mas não é exagero indicar que seja sempre oferecido outras opções e que os meios digitais façam parte apenas quando for realmente inevitável e quando ocorrer que tenha moderação ,acompanhamento e cuidados oculares como distanciamento ideal das telas e regular a iluminação dos dispositivos para não afetar os olhos e prevenir doenças oculares.

A vivacidade da criança,sua criatividade e capacidade de estar presente conosco é fundamental para a constituição do seu futuro.

Kelly Gianne Marques Demoro
CRP 06/103103